Licenciatura

A Licenciatura no fogo cruzado dos interesses

Existem duas perguntas que os estudantes de C. Sociais inevitalvemente tem que responder: i) O que são as C. Sociais? ii) Em que irão trabalhar?
Sobre a primeira há inúmeras respostas sustentadas pelos cientistas. Agora com relação a segunda há sempre um estranhamento entre os estudantes dos porquês num curso com escassas oportunidades, é vetado pelos professores da Faculdade a possibilidade dos alunos serem como eles, isto é, professores. Por que há tanta resistência dos professores em tratar do assunto, será ele um tabu? O que será que há por trás da questão da Licenciatura? Qual a origem do temor em mexer na grade curricular?
A origem do temor decorre da combinação de dois fatores: professores maximizados e sua recusa em lutar contra o Redesenho Institucional. A demissão e maximização dos professores na C. Sociais não criou um fenômeno de luta com greves e questionamentos aos rumos que a universidade vem tomando. Ao contrário, criou-se uma subjetividade de cada um por si e salve-se quem puder. Nesse sentido, aceitou-se as regras do jogo colocadas pelo Redesenho e os professores tiveram que se relocalizar no novo cenário. Assim, por não ter isonomia salarial houve uma disputa entre as aulas da graduação e da pós-graduação; também houve a disputa entorno da influência dos núcleos de pesquisa que além de tratar das disciplinas a serem lecionadas, também colocaram a possibilidade de ingresso dos alunos e de orientandos em cada um deles, o que é fundamental para se conseguir mais bolsas de incentivo a pesquisa.

Em meio a esse processo de precarização do trabalho, foi sancionada a lei 11.684/2008 que incorporava a Licenciatura ao Ensino Médio. Deste modo, reapareceu a demanda estudantil pela Licenciatura. Por estarem adaptados ao Redesenho Institucional, os professores viram a Licenciatura como uma ameaça pelos motivos descritos acima. Assim, alguns deles começaram a demonização da Licenciatura, ocultando os reais motivos de sua oposição, assim iniciaram inúmeros discursos absurdos que distorciam as posições da Comissão para o curso. Por exemplo, o professor Edson Passetti e a Salete dizem que a comissão quer transformar a PUC-SP num colégio ou numa escola técnica. Como pode ser a gente que quer transformar isso aqui num colégio, se quem precarizou a faculdade foi a Igreja e fomos nós que nos opomos ao Redesenho? Por que no Consun o Passetti não utiliza seu espaço como representante para ser intempestivo e insubordinável contra a Igreja? Também vimos o silêncio irônico da professora de Antropologia Lili quando levamos a discussão em sala de aula e também vimos a oposição do professor Edson Nunes. Os professores Edmilson Bizelli, Carla Garcia, Lúcio Flávio, Mônica Carvalho, Pedro Arruda Fassoni  que se diziam favoráveis contribuíram com muito pouco para a causa, coisa que nós solicitamos que o façam mais ativamente soltando moções de apoio, se articulando no departamento e discutindo em sala de aula para a efetivação da licenciatura. A pró-reitora Haydee participou de muitas reuniões, mas se recusou em assinar os documentos de compromisso. A coordenadora Rita dizia que não podia fazer nada e que o problema era do PIF/PEB e o PIF/PEB dizia que não era dele. Se a coordenadora não pode fazer nada, quem pode fazer?

Na nossa opinião os estudantes podem fazer alguma coisa, porém o discurso rasteiro de demonização converteu a cabeça de muitos que por terem uma sensibilidade anti-movimento passaram a reproduzi-lo sistematicamente ao ponto de quando a comissão passava em sala muitos davam risadas. Meus caros ingênuos, quem fez vocês de massa de manobra não foi o movimento estudantil, mas seus renomados professores de excelência e o mais trágico é que só agora vocês ficaram sabendo. Caso tivesse sido aprovado o plano emergencial, não haveria nenhuma modificação na grade curricular de vocês que aliás já é também precarizada. A luta pela Licenciatura não afetaria o vosso umbigo. Apenas abriria uma possibilidade para quem por opção ou necessidade quisesse dar aula no Ensino Médio tivesse esse direito adquirido. Se houvesse uma luta massiva para implementá-lo, haveria ainda um trunfo da Pró-reitora, pois em uma das reuniões, ela cogitou em expandir o plano emergencial até as turmas de 2010. O cálculo dela era muito simples, caso houvesse mobilização, eles davam a Licenciatura por fora da grade curricular e isso daria um duplo resultado, primeiro dizendo que a PUC é democrática, visto que quando se sentava os estudantes e professores as coisas se resolviam e por outro lado não se mexeria na grade curricular, coisa que não desgastaria sua relação com o Conselho Departamental. Em suma, uma manobra fantástica que até o Bob Fisher aplaudiria. Esse seria um dos dilemas do movimento pela Licenciatura, se houvesse massificação da luta, ele teria que escolher entre lutar apenas para a licenciatura para as turmas até 2010 ou avançaria para questionar a estrutura de poder da faculdade e também a grade curricular. Mas como não houve mobilização, a burocracia nem precisou usar esse trunfo e tudo se resolveu pela passividade. Tudo ficou no mesmo lugar. Alguns se matando pra entregar o TCC não tinham tempo para elaborar nenhuma proposta, outros focados nas eleições do CACS esvaziada de programa político não deram nenhuma resposta a esse problema. Sendo contraditoriamente uma parte do setor que impulsiona essas lutas. Ao invés de falar do apoio do Michael Jackson, Melocoton, Seu Madruga, Mestre Myagi, dentre outros, seria muito mais fecundo falar da Licenciatura. Esse é um dos saldos dessas eleições, o plano emergencial não saiu. A Licenciatura saiu pela saída de emergência.
Por outro lado, grande parte dos estudantes que conduziram a luta pela Licenciatura cometeram um erro crucial. Ficaram totalmente apoiados nas instituições do Redesenho, sem perceber que elas não podem deliberar por um outro projeto de universidade. Atrelado a isso, se opuseram a qualquer medida radicalizada que forçasse o departamento a se posicionar definitivamente perante o curso. Ao apostar todas as fichas no diálogo, eles foram enganados, pois como pensar no diálogo se até a quadra esportiva estava com cadeados, se não há um bicicletário decente, se há goteiras na sala de aula e falta de professores … Se não tivessem considerado a licenciatura e todas as medidas específicas dos cursos descoladas da discussão da estrutura de poder, não precisariam recorrer ao Procon. Ninguém pode esquecer que ir ao Procon é reclamar pelo direito de consumidor. É se adequar a lógica da educação como mercadoria. Exigir uma ação por danos, por conta do Manual do Estudante apresentar uma brecha que dizia oferecer também a licenciatura é muito pouco para quem quer pensar a sociedade, agora pode ser muito lucrativo se pensarmos num resultado pessoal, pois com uma enorme indenização vai dar pra comprar o carro do ano. Qual o resultado político disso? A mesma estrutura de poder, da grade curricular e do ensino que estamos tendo. É aceitar as leis ditadas pelo mercado e o governo e agir apenas dentro dos limites institucionais sem questionar as razões dessas instituições e os motivos do porque estamos passando por tudo isso e continuaremos a passar se não reagirmos. Paguei por um serviço que não foi prestado, logo vou a justiça lutar pelos meus direitos e quero a indenização com juros e correções monetárias. Precisamos ir mais longe do que isso, pois lutar pela licenciatura não é apenas, lutar por um emprego, mas também por uma reflexão da sociedade no Ensino Médio, pois é sempre bom lembrar que quem tirou a Sociologia foram os militares.
Ao olhar apenas para o próprio Umbigo sem pensar nas mediações que a Licenciatura colocava de forma clara para outro projeto de universidade, esses estudantes aplicaram a mesma lógica do cada um por si e salva-se quem puder. A Lei de Gerson foi o imperativo categórico desses alunos: “Seja esperto certo!” Se entrar um graninha vai dar até pra ir a Paris tocar maracatu pelado na Torre Eiffel. Mais uma vez os estudantes não se viram como um conjunto, mais uma vez o mesmo individualismo. Mais uma vez o mesmo resultado. Salva-se quem puder dessa sujeira, caso contrário se lambuze na merda.
Se há alguém que não queira se lambuzar na merda, chamamos todos, em especial os primeiros anos, para reuniões na quinta dia 18/11 de manhã às 11h30min e a noite às 18h30min para pensarmos alguma ação concreta, enérgica e rápida que reabra a discussão da Licenciatura.

220V

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