Para Edson Passetti, o represamento tem que acabar já

APROPUC-SP 10.12.10
Representante docente da Faculdade de Ciências Sociais no Conselho Universitário, o professor Edson Passetti encaminhou ao colegiado o pedido de discussão do contrato de trabalho e das tabelas diferenciadas de salário. Hoje ele é o entrevistado do PUCviva e comenta os desdobramentos de sua proposta.

Sobre a decisão do Consun
Achei a decisão sensata, porque o Consun, quando houve a intervenção da Fundação São Paulo, foi sensato, vendo que o nosso rombo era muito grande e que era preciso fazer alguma coisa para a universidade não naufragar. E aí ele decidiu que teríamos que pagar um preço difícil. Nós pensamos que esta decisão seria somente por dois anos, mas hoje percebemos que já cedemos o impossível com esta prorrogação.
Por isso a decisão do Consun de dizer fim à maximização não tem nada de extraordinário, porque ele diz que voltaremos à deliberação 65/78, que é uma regra que nunca foi consensual e sempre foi criticada. Voltar agora à 65/78 talvez seja uma maneira da Fundação pensar numa nova maneira de investimento na universidade que permita à PUC-SP manter o seu nome nacional e internacional e projetá-la ainda mais.
Eu desconheço se esta proposta será danosa à universidade, pois não tenho dados que possam comprová-lo. Eu boto todas as minhas fichas na administração que a Fundação vai fazer. Eu acredito que o saneamento das dívidas foi muito bem feito. De modo que voltar à 65/78 é uma coisa que deve ser examinada, não para daqui a dois anos, mas tem que ser imediatamente porque imagino que a Fundação tenha base para dizer quanto ela economizou com a maximização, quanto do nosso trabalho foi fundamental para que a universidade permanecesse em pé e respeitável e, por isso, acredito que o final da maximização deve ser o investimento numa universidade de ponta, de pesquisa, de formação de professores.
Eu não tenho um modelo para o que deva vir depois da 65/78. Eu sou professor, não sou administrador. Mas academicamente deve acontecer outro voto de confiança para se voltar à 65/78, esse nosso calvário, e pensarmos coletivamente outra maneira de elaborarmos um contrato de trabalho. Que não seja nos moldes de estratificação de salário para desempenho das mesmas funções, pois isto é muito humilhante para o professor novo. Um professor que entra jovem na universidade deve entrar com todo carinho que podemos lhe dar, e não dá para começar a sua carreira ganhando metade do que ganha outro professor para desempenhar as mesmas funções, porque os jovens têm que produzir hoje muito mais do que produziu a minha geração. Antes havia fundos para professores que iam fazer apresentações internacionais que desapareceram e hoje quem for falar em nome da PUC-SP tem que pedir financiamento no CNPq, Capes, etc. que são agências comandadas por intelectuais que têm grande antipatia por quem não seja de instituições federais.
Níveis salariais e aposentadoria
Quando eu vi o material apresentado pelo professor Gallo eu fiquei com uma dificuldade muito grande, porque não entendi onde o ele  queria chegar com aquela estratificação . O problema nosso é que temos pelo regimento um número restrito de vagas para titulares e associados (e às vezes eu brinco que os jovens professores no futuro irão convidar os antigos para almoçar e colocarão cada dia em sua comida um pouquinho de cianureto, porque senão eles nunca serão titulares). Nós não temos nenhuma política de acolhimento do professor de longo tempo de casa.
Nas universidades públicas você se aposenta com salário integral. Pois o presidente Lula pensa nos trabalhadores pela cabeça dele, a classe trabalhadora para ele é uma fantasia, a legislação trabalhista para funcionário público é uma e para o resto é a CLT. E minha grande decepção nos oitos anos do Lula foi que ele não mexeu nisso.
Então nós temos de encontrar aqui na universidade um jeito para que o professor mais velho que vai se aposentar tenha uma maneira de colaboração com a universidade compatível com sua titulação, com sua história, com suas pesquisas. A universidade é um lugar em que quanto mais velho você está, melhor, parece vinho.
Precisamos rever todo o processo que vai desde o auxiliar de ensino ao titular com critérios acadêmicos.
Sobre os represados
A proposta do professor Gallo mostrou que o impacto na folha de pagamento do enquadramento dos represados seria de 2%. Mas mesmo que fosse 10% eu ainda diria Ok, tem que ser feito, porque eu penso no professor jovem novamente que entrou na universidade, passou pelo período probatório, foi avaliado e continua na mesma situação. E são professores jovens que dão o sangue pela universidade. Alguns já foram embora, mas outros não, ou porque estudaram aqui na PUC-SP, ou porque sempre foram atraídos por este espaço propício para novas experimentações, eles querem ficar aqui. Por isso quanto ao represamento é já, não tem conversa.
Eu acredito que todo ano a universidade esteja calculando  quanto economiza com o represamento, por isso hoje está mais do que na hora de investirmos nesses professores. Se temos que fazer alguma economia não deve ser com estes professores.
Quanto á maximização eu acho que deve voltar a 65/78. A maximização já significou a flexibilização da 65/78. O que nós podemos discutir a partir do reconhecimento da Fundação a nós, docentes, pelo que demos à PUC-SP, é que ela diga que agora voltaremos à 65/78, pensando posteriormente numa nova forma de contrato, mudando-se as porcentagens de cada categoria, porque nós não somos nenhuma uniesquina.
A formação do professor é importante. Investir na sua titulação é muito importante, mas não com estes números fixos. Em várias áreas o auxiliar de ensino não tem mais importância. O formando conclui o curso e já entra num mestrado. Por isso a questão do auxiliar de ensino deve ser revista. Talvez ele possa permanecer em alguns ares da universidade em que sejam necessários.

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