Líder estudantil britânico avisa que protestos contra reforma continuarão

10/12/2010 – 11:30 | Alfonso Daniels | Londres | Opera Mundi

As manifestações contra a reforma educacional britânica continuarão, conforme afirmou ao Opera Mundi o porta-voz do Sindicato de Universidades e Colégios (UCU, na sigla em inglês), Dan Ashley, que organizou nesta quinta-feira (9/12) manifestação estudantil em frente ao parlamento britânico, contra o aumento das taxas universitárias. O protesto reuniu mais de dez mil pessoas e terminou em violência, deixando um saldo de 12 policiais e 43 manifestantes feridos e mais de 30 detidos, segundo a Scotland Yard.

Efe

Estudantes britânicos foram às ruas de Londres contra reforma da educação
As forças de segurança enfrentaram os estudantes, que tentavam ultrapassar o cordão policial. Os manifestantes lançaram pedras contra a polícia e destruíram as janelas do edifício do Tesouro e da Suprema Corte. Um grupo chegou a atacar o carro onde estavam o príncipe Charles e a esposa, Camilla Parker-Bowles. Manifestantes atiraram latas de tinta contra o veículo e começaram a chutá-lo, quebrando um dos vidros. Charles e Camilla não ficaram feridos.

Apesar da pressão nas ruas, a coalizão presididade pelo conservador David Cameron aprovou a polêmica medida que triplica as taxas universitárias, passando de 3.290 libras (8,9 mil reais) até o valor máximo de nove mil libras anuais (24 mil reais)  a partir do ciclo acadêmico 2012-13. O governo, entretanto, ganhou a votação por apenas 21 votos de diferença (323 contra 302), três quartos menos que sua maioria parlamentar. E 21 deputados do Partido Liberal-Democratas, minoritários na coalizão do governo, votaram com seis colegas conservadores contra a medida.

“A luta continuará, não nos daremos por vencidos. Só votaram o tema das taxas, ainda falta discutir a redução do orçamento para a educação superior. Voltaremos às ruas especialmente após o Natal e não apenas nós, mas também outros setores se manifestarão contra os cortes de orçamento [para a educação]”, afirmou Dan Ashley, porta-voz do UCU.

Ashley denunciou a “comercialização” da educação universitária já que, segundo ele, os estudantes passarão a financiar grande parte dos gastos. “O governo está lavando suas mãos, em vez de impulsionar a educação como fazem outros países. Os estudantes mais pobres agora pensarão duas vezes antes de ir para a universidade e escolherão os cursos mais baratos. Deveriam planejar outras opções, como obrigar as empresas que se beneficiam da contratação de estudantes graduados a contribuírem com a educação deles. É um escândalo”, afirmou.

Atualmente, as taxas cobrem 29% do gasto total das universidades, enquanto outros 35% vêm de fundos públicos. O governo defende a medida, já que estima que as taxas médias estarão em torno de 7.500 libras (20.116 reais), já que o teto de nove mil libras só se aplicaria em “circunstâncias excepcionais”, e que os estudantes não terão que pagar até que estejam trabalhando, com salários superiores a 21 mil libras anuais (56 mil reais).

Promessa

Além disso, o governo destacou que vários mecanismos para ajudar aos estudantes mais pobres serão aplicados, e tentou dourar a pílula fazendo algumas concessões de última hora, como a atualização anual com o índice de inflação dos que irão ganhar os graduados para começar a devolver o dinheiro. Mas essas medidas não convenceram os estudantes, furiosos sobretudo com os liberal-democratas, que integram a coalizão do governo dos conservadores, por terem rompido uma de suas principais promessas eleitorais.

Durante a campanha eleitoral para as eleições legislativas, realizadas em maio deste ano, o partido Liberal-Democrata, liderado por Nick Clegg, tinha se oposto ao aumento dos custos da educação. Depois, alguns liberais-democratas mudaram de posição, usando como justificativa a crise econômica e a necessidade de aplicar medidas de austeridade.

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